Tanto no Oriente quanto no
Ocidente, existem vários caminhos que levam ao conhecimento confrontante de si
mesmo com a verdade. Quanto mais o homem conhece a realidade e o mundo, tanto
mais passa a conhecer-se a si mesmo, reconhecendo os sentidos e percebendo que
é passível de conhecimento posto que entende ser parte integrante do todo,
ainda que seja uma unidade discreta, única.
Em Delfos, a escritura “Conhece-te
a ti mesmo [e conhecerás o segredo dos deuses e do cosmo]” é a premissa
fundamental para quem almeja compreender o sentido da própria existência: no
primeiro momento, percebe-se em quanto SER e, em seguida, reconhece-se enquanto
ser HUMANO, dotado de características pertinentes desenvolvidas e outras
inatas.
Reconhecendo essas
características, percebemo-nos reféns de questionamentos que vêm à tona à
medida que alcançamos à plenitude de nosso desenvolvimento, já no próprio
caminho percorrido. Tentamos entender “quem somos?” ou “para que viemos?”, “O
que virá após mim?”, “Por que o mal existe?” ou... “Onde está Deus?”, “Será que
Ele existe?”. A Bíblia é um caminho capaz de responder a todas elas, posto que,
além de ser um analecto de textos históricos, doutrinários, contém o maior
acervo sobre o auto-conhecimento e o conhecimento responsável de Deus.
É preciso compreender-se enquanto
ser infinitamente limitado e ilimitadamente curioso. É preciso contemplar o
divino a partir do que se é possível compreender em nossas limitações. Perceber
que nossos limites não são simplesmente imposições naturais, mas verdadeira
oportunidade de contemplação do que é eternamente iminente e absoluto,
extraordinário e inefável, passível de ser admirado por sua totalidade em
existir, mesmo que não tenhamos a pura competência para fazê-lo de maneira
digna.
É pela dignidade que não
possuímos, que entendemos o que aqueles que reconhecem a Revelação [divina] e a
certeza de um ser Único e inquestionavelmente superior é a essencialidade para
que concorrem todas as coisas. Apesar de ser um pensamento Aristotélico,
aperfeiçoado por São Tomás de Aquino e reforçado pelo Papa João Paulo II, a
sabedoria dos escritos bíblicos nos revela todas essas informações, explicando
implicitamente a origem natural de tantos questionamentos, dessa interminável
busca por respostas de perguntas diversas e intermináveis.
Santo Ambrósio foi capaz de
resumir o que precede, intercede e sucede esses aforismas da vida reflexiva
numa resposta objetiva, simples e perfeita sobre o que buscava Agostinho, antes
de sua conversão: “A verdade não está
num livro; a verdade é uma pessoa: Jesus”. O surgimento de um pensamento
absoluto e concretamente definitivo, permite-nos alcançar uma compreensão
irrisória, por ser absoluta e controversa, mas que é pertinente; absurda, em
primeiro contato, mas verdadeiramente pura e conclusiva, ao cerne do ápice de
entendimento. Jesus, diferentemente de TODOS os homens, de maneira única e perspicaz,
contrária ao comportamento comum de toda a humanidade, fez com que a verdade passasse a ter um sentido para
além do denotativo e alcançasse, deveras, cunho próprio, vivífico, carnal,
comportamental, divinamente humano, real e perceptível por todos os sentidos
corpóreos.
É com a certeza de um exemplo,
dos tanto deixados pelo verdadeiro primogênito de Deus-Pai, que se alcança a
compreensão de existência de humanidade, mesmo advinda daquele que era, que é e
que sempre será, feita pelo Mestre dos mestres, capaz de contradizer qualquer
teoria ou preceito puramente científico. Ele, Senhor dos senhores, Rei dos
reis, Alfa e Ômega, a maior inteligência que já existiu, trouxe à Terra toda a
possibilidade de compreensão comportamental humana, desde pequenos princípios
éticos até às mais sublimes demonstrações de amor incondicional, todas sendo
possíveis e almejáveis pela natureza que é única dotada de razão: a humana. Foi
capaz de mostrar que Sua união hipostática não seria capaz de sublimar o que há
de mais divino no humano: incutiu a verdadeira experiência de misericórdia aos
sentidos humanos, que são os únicos capazes de contemplar tamanha beleza.
Fez-se, portanto, em nós, verdadeiro sentido naquilo que pareceu absurdo aos de
Sua época, e que nos trouxe um verdadeiro marco histórico: um homem de Nazaré,
filho adotivo de um carpinteiro [castíssimo e dotado de inúmeras virtudes] e de
uma jovem moça [repleta da graça de Deus], mostrou como somos semelhantes e o
quão amorosos podemos ser quando tomamos por natural alguns atos de humanidade,
fraternidade, respeito e valor ao próximo, mesmo que de crenças distintas ou de
valores diversos culturalmente.
Sem a menor intensão de
vanglória, o Filho Unigênito de Deus, deixou de lado sua natureza divina e
demonstrou com veemência o que é o poderio de um Rei com a simplicidade de
filho de carpinteiro, capaz de tocar qualquer que seja o coração e causar
transtorno e inquietação aos líderes, chefes, doutos, exegetas, intelectuais de
todos os lugares, por, simplesmente, ser divinamente humano. É nesse interim
que podemos ter a certeza de que não há como não se admirar por haver um Ser
que possui tudo em extrema potência, capaz de ser a própria essência da
humildade, verdade, benevolência, ética, moral, entre tantos adjetivos
maravilhosos, tudo isso por ter sido transbordante em Amor. E, fazendo-o,
deu-nos a graça de poder perceber que se fez Amor e, sendo o próprio Amor,
incutiu-nos a saudade dessa verdadeira riqueza, divinamente incomensurável e
tão perto de nós; verdadeiramente amor, perfeitamente inefável.
Havendo pouco mais que simples
gestos, algumas parábolas demasiadamente profundas e uma multidão de
seguidores, uns apaixonados e, outros, meros perseguidores, Jesus trouxe a
verdadeira arte retórica, a pura essência humana, a simples construção do
complexo de Amar e, num sutil e, muitas vezes, incompreendido aforismo régio,
definiu abertamente a chave da misericórdia [alcance pleno de Deus] e,
portanto, da felicidade Eterna: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Que
haja amor e, contudo, o que vier, nos seja dado por acréscimo.
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